Atualizado em: 10 outubro 2011

América do Sul terá acelerador de partículas

Brasil, Argentina, Chile e México estão envolvidos na construção de um laboratório subterrâneo de física de partículas. É o primeiro da América Latina. Projeto Andes custará 15 bilhões de dólares para construir e 5 bilhões para equipar.
Acelerador de partículas

Parte de um acelerador de partículas

Um grupo de cientistas pretende desvendar os segredos do universo a partir de um laboratório subterrâneo de física de partículas, o primeiro do hemisfério sul, onde planejam instalar um túnel na Cordilheira dos Andes destinado a unir Argentina ao Chile.

O Projeto Andes envolve cientistas da Argentina, Chile, México e Brasil, que tem apoio de colegas dos EUA e Europa com foco no estudo da matéria escura, neutrinos e outras partículas subatômicas, disse hoje seu coordenador, o físico franco-argentino, Xavier Bertou.

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Além disso, há muito interesse em usar o laboratório para estudar o impacto dos raios cósmicos sobre o envelhecimento celular, e também no campo da geofísica, com vistas a criar rede de sismógrafos entre a Argentina e o Chile.

15 bilhões de dólares para construir

O custo estimado do laboratório é de 15 bilhões de dólares, o equivalente a 2% do custo do túnel Black Water, que unirá uma localidade chamada Iglesia, na província argentina de San Juan, com a cidade chilena de Vicuña.

O túnel, cuja construção começará no próximo ano, terá uma extensão de 14 quilômetros e a instalação do laboratório ficará a mais de 1.500 metros abaixo da superfície, nas entranhas dos Andes.

Em uma caverna principal, haverá espaço para duas ou três experiências maiores, enquanto uma cavidade secundária abrigará três ou quatro andares para pesquisas diversas, todas ligadas com túneis de acesso, totalizando 2.500 metros quadrados subterrâneos.

Eventualmente, o projeto prevê a construção de uma terceira caverna de forma cilíndrica, com 15 a 20 metros de diâmetro e 20 metros de profundidade, para experimentos de grande porte.

5 bilhões de dólares para equipar

Levará, pelo menos, cinco bilhões de dólares para equipar o laboratório para o estudo da física de partículas, disse Bertou, que trabalha no Observatório Pierre Auger, o maior do mundo para o estudo dos raios cósmicos, localizado na província argentina de Mendoza.

O projeto Andes deverá incentivar a criação de empresas de alta tecnologia, como aconteceu nas regiões próximas aos laboratórios na Europa, disseram os cientistas.

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