Atualizado em: 8 outubro 2011

Wikipédia italiana sai do ar em protesto contra lei da mordaça

Wikipédia suspende exibição da versão italiana como protesto contra a aprovação da "lei da mordaça" que obrigaria sites a retirar conteúdo do ar arbitrariamente.

 

Silvio Berlusconi, primeiro-ministro italiano

Silvio Berlusconi, primeiro-ministro italiano

A enciclopédia online gratuita Wikipédia, desativou sua versão italiana como forma de protesto contra o projeto de lei de privacidade proposto pelo executivo deste país europeu.

Este novo projeto de lei foi apelidado de “lei da mordaça” e inclui, entre outras coisas, a remoção de qualquer conteúdo difamatório publicado em um em um site dentro de 48 horas, se qualquer pessoa o solicitar. Além disso, o site deve publicar uma correção ou poderá pagar multas de até 12 mil euros.

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Com esta lei, qualquer pessoa que se considera lesada por uma publicação na Itália, pode exigir a introdução de uma retificação orientada a desmentir a reportagem, independente se é verídica ou não.

O webmaster não pode apresentar um recurso, o que significa que qualquer usuário ou o próprio governo italiano poderá censurar o conteúdo de qualquer site.

A Wikipédia italiana publicou uma nota na qual diz que a obrigação de publicar uma correção sem direito a recurso, é uma restrição inaceitável da liberdade e da independência da Wikipédia, e distorce os princípios em que se baseia a enciclopédia livre.

A nota também adverte que, embora a Wikipédia continue existindo e somente tenha sido bloqueada, a organização pode ser forçada a remover a versão italiana se esta lei entrar em vigor.

Desde a desativação da Wikipédia, continuaram a aparecer demonstrações de solidariedade, como a criação de um site chamado “Salviamo Wikipédia” (Salvar Wikipédia) ou um grupo no Facebook que tem agora mais de 200.000 usuários.

Este projeto foi apresentado pelo primeiro-ministro Silvio Berlusconi em 2008, e aprovado em 2010 pelo Senado por 164 votos a favor e 25 contra, e Berlusconi já o levou para o Congresso.

Berlusconi, aquele político envolvido em inúmeros escândalos, disse que as restrições à mídia e aos sites são necessárias para garantir os direitos dos cidadãos. A última do primeiro-ministro, fã de festas com mulheres sem roupas, foi chamar a Itália de “país de m***a” em uma gravação telefônica interceptada.

Se o projeto for aprovado na Itália, não se espante se algum deputado brasileiro apresentar projeto de lei semelhante. Afinal, tal lei seria perfeita para esconder toda sorte de desmandos de corruptos, desonestos, vilipendiadores e outros indivíduos que se bandearam de vez para o lado negro da força.

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