Atualizado em: 30 março 2012

Morre aos 88 anos o escritor Millôr Fernandes

O Brasil perdeu mais uma personalidade notória nesta semana. Millôr Fernandes morreu depois de ter feito uma carreira brilhante
Você Sabia?
Millôr era para se chamar Milton, mas na época em que seus pais foram registrá-lo, a caligrafia que consta em sua certidão de nascimento era duvidosa. O "t" não estava cortado pelo traço e o "n" incompleto, como jeito de "r".
Millôr

Millôr Fernandes deixa seu legado depois de 88 anos bem vividos (Foto: Divulgação)

Ele era daqueles seres humanos multifacetados, que acumulam funções e as exerce com maestria. Assim foi Millôr Fernandes durante toda sua vida, um escritor, jornalista, cartunista, humorista dramaturgo e tradutor que morreu aos 88 anos, porém deixou um legado para os mais jovens. O de realizar as tarefas com dignidade e talento.

Millôr Fernandes faleceu na última terça-feira (27), às 21h. Ele estava em sua casa, no Rio de Janeiro e a causa da morte foi falência múltipla dos órgãos. O escritor era marido, pai e avô de um menino.

publicidade:

O fato é que a saúde dele já não andava bem há algum tempo. No ano passado ele foi internado por duas vezes para se tratar. À época sua família preferiu não autorizar a divulgação dos boletins médicos, assim a imprensa não pôde relatar o estado de saúde desse grande artista.

O velório aconteceu no dia 29 de março, no cemitério Memorial do Carmo, das 10h às 15h. Não houve enterro, pois o corpo será cremado.

A carreira de Millôr

A primeira vez que Millôr conseguiu publicar algo seu em um jornal foi através do incentivo de um tio. Órfão de pai e mãe, mortos quando ele era uma criança, o garoto adorava as histórias em quadrinhos e já fazia seus desenhos, um deles fora publicado no periódico carioca O Jornal, o que lhe rendeu um ganho de 10 mil réis.

Aos 14 anos de idade já trabalhava para a revista O Cruzeiro, mas não escrevia ou desenhava, ele era um contínuo. Nesse período o escritor ganhou um concurso de contos que a revista A Cigarra promoveu e imediatamente foi convidado para ocupar o cargo de arquivista da publicação.

Desenhos feitos por Millôr

A inteligência de Millôr transparecia e suas ideias eram em sua maioria geniais (Foto: Divulgação)

Com o passar do tempo essa mesma revista ficou com quatro páginas em branco, pois cancelou contratos de publicidade, esse espaço se torna suficiente para que o jovem escrevesse, e assim o faz depois de ter sido convidado. A sessão que Millôr criou chamava-se “Poste Escrito”, como era comum para ele e muitos outros o uso de um pseudomino, ele assinava como Vão Gogo.

A partir do sucesso de sua coluna em A Cigarra ele ganha notoriedade e passa a ser o diretor da publicação. Millôr escreve no Dário da Noite, retorna ao O Cruzeiro em 1914, agora para fazer o que sabe realmente, passou pelo O Pasquim, pela Veja e foi deixando seu legado. Em 2009 saiu da revista Veja por ter tido desentendimentos acerca das publicações de seus antigos textos sem sua autorização.

No teatro traduziu peças de Shakespeare, Sócrates, Brecht entre outros. Em 2011 sofreu um acidente vascular cerebral isquêmico e a partir daí teve algumas complicações com sua saúde. Se foi um grande talento, ficaram seus ensinamentos e atitudes.

Alguns desenhos de Millôr

Desenhos feitos por Millôr FernandesDesenhos feitos por Millôr FernandesDesenhos feitos por Millôr FernandesDesenhos feitos por Millôr FernandesDesenhos feitos por Millôr FernandesDesenhos feitos por Millôr FernandesDesenhos feitos por Millôr FernandesDesenhos feitos por Millôr FernandesDesenhos feitos por Millôr FernandesDesenhos feitos por Millôr FernandesDesenhos feitos por Millôr FernandesDesenhos feitos por Millôr FernandesDesenhos feitos por Millôr FernandesDesenhos feitos por Millôr FernandesMillôr Fernandes

Você também vai gostar disso:

Conte-nos o que achou da matéria usando o facebook