Atualizado em: 28 agosto 2011

Hamza, o enorme rio subterrâneo brasileiro

Pesquisadores brasileiros do Observatório Nacional descobrem que há um enorme rio subterrâneo correndo por baixo do Amazonas. Batizado de Hamza, ele afeta inclusive o Oceano Atlântico.

Elizabeth Pimentel (esquerda) e Valiya Hamza (centro)

Nossos cientistas descobriram um enorme rio subterrâneo que corre por baixo do Amazonas em profundidades que podem chegar os 4 mil metros, revelou um órgão oficial.

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O rio subterrâneo, que recebeu o nome de Hamza, é um dos dois diferentes sistemas de drenagem da imensa selva, informou um comunicado publicado pelo Observatório Nacional do Brasil.

A descoberta permitiu concluir que a região amazônica possui duas vias de descarga de águas. “Uma delas é a já conhecida drenagem de superfície, que se consiste no Rio Amazonas, e a outra é um fluxo de águas subterrâneas através de profundas camadas sedimentares, disseram os cientistas.

O Amazonas, que tem origem nos Andes peruanos e corre pela floresta amazônica antes de desaguar no Oceano Atlântico, se estende por 6.992 quilômetros, tornando-o mais longo rio do mundo, segundo o Instituto Brasileiro de Pesquisas Espaciais (INPE).

Os descobridores

A descoberta foi feita pela cientista Elizabeth Pimentel, chefiada pelo Professor Valiya Hamza, da coordenação de geofísica do Observatório Nacional, que emprestou seu nome ao rio, pelo menos de forma provisória.

Pimentel se baseou na análise de dados de temperatura de 241 poços profundos perfurados pela Petrobras entre os anos de 1970 e 1980 na região amazônica.

Como é o Rio Hamza?

Rio Hamza

A área de estudo inclui as bacias do Acre, Solimões, Amazonas, Marajó e Barreirinhas. “Nós encontramos sinais de movimento da água, inicialmente descendentes, e a partir de 2 mil até 4 mil metros, o movimento da água muda de direção, de vertical para a horizontal (…) e depois segue quase o mesmo curso do rio Amazonas”, disse Valiya Hamza. A água doce descoberta “é um recurso valioso que pode ser usado para diversos fins”, disse ele.

O rio descoberto cobre uma área estimada de quatro milhões de km quadrados da bacia amazônica. Embora ambos, o Amazônia e o Hamza tenham o mesmo sentido, eles possuem várias diferenças.

Enquanto o Amazonas possui uma largura entre um e 100 quilômetros, o fluxo de água subterrânea varia entre 200 e 400 km. Além disso, a velocidade das águas do rio Amazonas varia de 0,1 a 2 metros por segundo, dependendo das condições da água do local, enquanto que no Hamza, o fluxo varia entre 10 e 100 metros por ano.

Ainda assim, o fluxo do Hamza é considerado um gigante. Segundo os cientistas, as águas do rio subterrâneo Hamza, que provém dos Andes peruanos e colombianos, desembocam nas profundezas do Oceano Atlântico, a mas de 200 km da costa, devido a placa continental.

Rio Hamza afeta até o Oceano Atlântico

“Provavelmente, o fluxo das águas subterrâneas são responsáveis ​​pelos grandes indícios de baixa salinidade do mar encontradas nas proximidades da foz do Amazonas”, disse o comunicado do Observatório Nacional, órgão ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia.

Esta baixa salinidade, altera vida marinha, permitindo que peixes típicos de rio vivam no mar, disse Valiya Hamza. O Brasil possui 12 bacias hidrográficas em seu vasto território, que respondem a cerca de 13% da água doce do mundo.

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