Atualizado em: 10 fevereiro 2011

Executivo do Google vira herói no Egito

Wael-Ghonim

O cyber ativista e executivo da Google no Egito, Wael Ghonim,  conseguiu reunir milhares de opositores ao regime de Hosni Mubarak, através da magia do Facebook, ao ponto que se tornar um ícone da juventude egípcia.

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Um jovem de pele bronzeada, óculos e intelectual brilhante, Wael Ghonim, cerca de 30 anos, criou uma página no Facebook, onde ele conclamou a população a se manifestar pela queda do regime de Mubarak em 25 de Janeiro.

E, como na revolta popular na Tunísia, os internautas parafrasearam a frase de Barack Obama: “Yes we can” (“sim, nós podemos”).

Wael Ghonim, executivo chefe de marketing do Google para o Oriente Médio e Norte da África, casado, residente em Dubai, Emirados Árabes Unidos, voltou para o Cairo, pouco antes das primeiras manifestações exigindo a saída do chefe de Estado.

Dois dias depois, foi preso e entregue aos um dos serviços mais temidos do Estado, uma força policial especial.

O executivo ativista foi liberado na segunda-feira, dia 7 de fevereiro após 12 dias em detenção de olhos vendados, bombardeado com perguntas por parte das autoridades, suspeito de ser “agente” de potências estrangeiras.

Na terça feira a multidão se abriu em dois e Ghonim fez uma entrada triunfal na praça Tarhir Square, onde aconteceram conflitos sangrentos entre manifestantes e a polícia.

Revolução Facebook

“Eu vim aqui para ver Wael, espero que todos nós”, disse Abdelramán, um manifestante que ouvia os oradores que falaram um após o outro até que chegou a estrela do dia.

“Eu não sou um herói, vocês são heróis, os que estavam aqui na praça”, disse a jovens manifestantes.

“Eu gostava de chamá-la de revolução Facebook, mas depois de ver as pessoas aqui, vejo que é a revolução do povo egípcio”, acrescentou.

Ao seu lado estava a mãe de Khaled Said, um jovem morto em junho por policiais fora de um internet café em Alexandria.

Comunicação em rede

Ghonim evita a mídia tradicional, preferindo se comunicar via redes sociais, mas concedeu uma entrevista à CNN na qual ele declarou-se “pronto para morrer” para a mudança no Egito.

Quando viu as imagens dos jovens mortos durante as manifestações, foi às lágrimas.

“Eu digo a cada mãe, cada pai que perdeu um filho que não é culpa nossa, mas dos que estavam no poder e se agarraram a ele”, ele chorou, cabisbaixo.

Sua página do Facebook tinha 90 mil fãs antes de sua libertação e agora tem mais de 220.000.

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