‘Desaparecidos’ mostra o drama das vítimas do tráfico de pessoas no mundo

Oitocentas mil pessoas são seqüestradas por ano no mundo inteiro para serem vendidas para traficantes, na maioria das vezes, com fins sexuais. Oitenta por cento são mulheres e mais da metade são menores de 18 anos. Baseado numa reportagem do “New York Times” sobre o assunto, “Desaparecidos”, que estreou nesta sexta-feira (7) conta de maneira dramática, às vezes até exagerada, a história de uma dessas vítimas.
Num bairro pobre da Cidade do México, mas que poderia ser qualquer lugar no Brasil, uma menina de 13 anos é levada à força por mafiosos russos ligados a criminosos locais. Seu destino é os EUA. Sua virgindade vai ser leiloada pela internet para pedófilos de qualquer lugar do globo.
Por sorte, o irmão da menina (Cesar Ramos, divertido e emocionante), um malandro quatro anos mais velho que aplica golpes de cunho sexual em “gringos” visitantes da capital mexicana, resolve encontrar a garota de qualquer maneira.
Por mais sorte ainda, ele encontra Ray (Kevin Kline se saindo bem num raro papel dramático), um policial que trabalha na área fiscal, mas que visita o México à procura de alguém muito importante que sumiu de sua vida há tempos.
Os dois, Ray representando o clichê do sério e correto anglo-saxão e o garoto, do divertido e explosivo latino-americano, formam uma daquelas conhecidas duplas que são improváveis, mas que dão certo. Juntos, eles atravessam a fronteira e rodam meio EUA à procura da menina.
Elementos dramáticos exagerados
Apesar de exagerar nos elementos “emocionantes”, como no excesso de músicas dramáticas, câmeras-lentas em momentos-chave da trama, flashbacks para explicar partes óbvias da trama, e também de repetir outros chavões preconceituosos, como mostrar um México com fotografia amarelada, o filme, em geral, agrada.
Principalmente o roteiro, de Jose Rivera, que escreveu “Diários de Motocicleta” e o próximo filme de Walter Salles Jr. “On the Road”. A trama encontra os elementos certos para mostrar uma tragédia que acontece diariamente, em qualquer lugar, e que raramente é comentada.
Para mostrar a proximidade do problema, basta dizer que em certo diálogo do longa, os traficantes de pessoas comentam que falharam ao seqüestrar uma brasileira. Não falham em todas as oportunidades.
No fim do filme, aparece uma fala de Laura Lederer, do Departamento de Estado norte-americano, saída da reportagem do NYT que dá a dimensão deste tipo de escravidão e assusta pelas suas conseqüências: “nós não estamos encontrando vítimas porque não estamos procurando”. As meninas, e até meninos, continuam desaparecidas.
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