Atualizado em: 26 setembro 2012

Samba Enredo Rio 2013: Mangueira - Letra e Música

Saiba mais sobre as eliminatórias para a escolha do samba enredo da Escola de samba Mangueira para 2013, o enredo, a quadra, o carnavalesco.
Você Sabia?
A Escola de Samba Mangueira está realizando eliminatórias para escolher o seu samba enredo para 2013!

Estação Primeira de Mangueira, Bandeira da Escola! (Divulgação)

A Escola de Samba Mangueira vai apresentar no desfile de 2013 o enredo “”Cuiabá: Um Paraíso no Centro da América!”, do carnavalesco Cid Carvalho.

Enredo para 2013

Ouçam o apito da sirene que indica que o trem verde e rosa vai dar a partida. Não cuiabanos! Não se trata da máquina de ferro e aço que há 150 anos é esperada ansiosamente; mas, quando a cortina de fumaça dos fogos de artifício se abrir e a penumbra se dissipar, todos entenderão que o sonho é a verdadeira vitória sobre o tempo. Alegrai-vos cuiabanos de tchapa e cruz e de coração. O tempo da espera acaba aqui e agora! Todos a bordo, acomodem-se. Olhem através das janelas de suas almas e vejam, a cada estação, a memória cuiabana em desfile.

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Por alguns instantes, deixem-se levar pela imaginação; não como alguém que se perdeu no tempo à espera do trem, mas com a sabedoria daqueles que fazem do tempo o combustível que alimenta a esperança.

Estação Primeira: Mangueira

O trem está em movimento e os músicos mangueirenses fazem rufar a Bateria Surdo Um. Há uma apoteótica celebração de boas-vindas. Personificado na “lúdica permutação dos nomes próprios em apelidos 2″, eis o maquinista dos versos: Mestre Jamelão. O nosso eterno intérprete de sambas-enredo dá o tom à memória dos “gênios anjos mangueirenses”- Cartola, Carlos Cachaça, Zé Espinguela, Nelson Cavaquinho, Dona Zica, Dona Neuma, Mocinha, Xangô da Mangueira entre outros, que, juntos saúdam e convidam todos os presentes a embarcarem nesta viagem rumo ao “Paraíso no Centro da América”. Partindo da Estação Primeira, o trem mangueirense percorrerá os trilhos da história da “Cidade Verde”, a capital do Mato Grosso, e revelará para o mundo, tal qual o antigo sonho de integração, este deslumbrante rincão fincado no coração do Brasil, Cuiabá, também conhecida como a Cidade Verde, a partir de agora, passará a ser chamada de Cidade Verde e Rosa!

Estação: Eldorado

Como se emergisse das cristalinas águas dos rios, com sua imponente farda, “General Saco”, habitante do reino das riquezas, recebe a nossa composição. Celebra nossa presença com a história de fundação de Cuiabá. Nomes havia muitos para a mesma situação: negro sabre, branco espada, índio tacape, flecha e facão. Mas é no garimpo que se miscigenaram, num só princípio de unidade geral, construindo da geração espontânea de cada célula que se agrega e vai dando subsídios ao nascimento de uma consciente e sólida civilização.

Desbravam o fabuloso espaço fluvial-lacustre habitado por criaturas fantásticas,guerreiros indígenas e enfeitiçados pela farta quantidade de ouro encontrada; imaginam-se no cobiçado Eldorado, um lugar onde tudo era de ouro e pedras preciosas, até mesmo os nativos, os bichos, as flores e as frutas, segundo relatos dos próprios Bandeirantes. Tchapa e cruz é uma expressão regional típica de Cuiabá, que designa o cuiabano autêntico, “puro de origem”.SILVA, Freire. Manifesto Mosaico Cuiabano, 1977.

De invasão em invasão, uma audaz expedição ficou na memória.Pascoal Moreira Cabral escreve a epopeia da nossa história: Parte à frente de uma Bandeira, e de Tordesilhas, rompe a linha divisória e descobre ouro às margens do Rio Coxipó, Funda, em 1719, o primeiro povoado português, Cuiabá. Uma só essência! Terra boa e altaneira. Não importam mais os maus tratos de uma fúria transitória, Cuiabá orgulha a pátria brasileira, ostentando imortal passado de glória.

Bloco mostrando a história do Cacique de Ramos, durante desfile do ano passado. (Divulgação)

Estação: Mitos e Lendas

Nossa composição segue pela penumbra das matas… Recebidos por “Antônio Peteté”, andarilho de vida pacata e dono de um leque fabuloso, nos conta sobre os causos cuiabanos.

Há muito tempo ouve-se falar na presença de um monstro em forma de serpente, chamado minhocão, que habita o rio Cuiabá. Relatos vão de simples aparições até contatos da embarcação ou táteis com o ser, como tocar a canoa na cobra ou descer em seu lombo, pensando ser terra firme Por esse mundão cuiabano, vaga uma cobra de fogo que assombra as pessoas, conhecida como Boitatá e tem também um velho índio, que se transforma em pássaro encantado ao anoitecer – o Tibanaré. Já nas matas virgens e no cerrado, mora uma criatura que só tem um pé, o Pé-de-garrafa. E se, em uma noite sem lua, você se encontrar com uma mulher vestida de noiva perambulando pelas ruas cuiabanas, afaste-se, porque é o fantasma da Dama de Branco.

Entre lendas e mistérios, quem nunca se arrepiou ao saber, depois de comer a cabeça do pacu4, que uma das suas virtudes é ser casamenteiro? Ou quem não saiu em busca de novos desafios à procura da perdida “mina dos martírios”? Pois bem, abençoados pela Mãe d’Água, tudo isso faz parte do nosso imaginário popular. É tudo cultura, como em toda literatura, e cuiabana é a sua assinatura.

Um momento precioso!

Dançam o “São Gonçalo”, como parte significativa da religiosidade rural, onde o santo é um deus infinito que lava as dores e enxuga o pranto. Ecoa das violas de cocho, das batidas do mocho e do ritmo do ganzá, a genuína musicalidade cuiabana. No registro do saber, o povo se mistura num tempo puro e sem pecado. Na dança e no canto, quem gira chega dando seu recado – com o cururu, siriri e rasqueado.

Sucede que as festas de santo têm lá seus mistérios… Nelas misturam-se o laico e sacro numa simbiose natural – danças, rezas, músicas, brincadeiras e religiosidade. Inspirados,e bem na hora da partida rumo à próxima estação, chegam os mascarados com suas vestes coloridas, dançando em torno do mastro, o “trança-fitas”.

Estação: Portal do Paraíso

Um momento: siga um conselho e tome fôlego antes de prosseguir. Pronto! Lá vamos nós! Há “tanta vida, tanta história, que não foge da memória a fonte de tanta beleza. É a terra, é a gente, é tudo aquilo que Deus criou e que se chama natureza”. Designação local de mutirão.

Mareja-nos o olhar ao avistarmos um místico mosaico geometrizante: ferruginosas franjas das bordas dos desfiladeiros, misteriosas cavernas e inscrições rupestres reveladas em sítios arqueológicos, cachoeiras de águas cristalinas e até mesmo um casal de araras vermelhas sobrevoando o céu, fazem da Chapada dos Guimarães um louvor à obra do Criador.

Adiante, uma revoada de tuiuiús – ave símbolo do Mato Grosso – nos conduz a um passeio pela fascinante biodiversidade e à extraordinária vida selvagem do Pantanal. Se alguém ainda acha pouco para justificar a alcunha de “Um paraíso no centro da América” a Cidade Verde ainda se dá ao luxo de ser o Portal da Amazônia! É neste cenário paradisíaco, de odores edênicos, que a Mangueira canta e se encanta: Glória aos teus tesouros, ao teu cintilante céu azul! Bendita sejas, terra amada. Cuiabá, tu que és do meu Brasil a pérola engastada em pleno coração da América do Sul.

Estação: Mandem lembranças ao Futuro!

Chegamos a nossa última parada e imediatamente uma negra esguia e defensora de nobres ideais ergue a voz e diz: Olhem pra frente e além dos muros, Cuiabá é uma cidade a caminho do futuro! É a “Maria Taquara”.

“O conto que a gente canta é a história que o povo faz”. Cuiabá reinventa-se como recanto laborioso de seu povo, o mesmo povo de espírito comunitário, que ficou isolado durante anos das principais capitais do país e tornou-se adulto, podendo ser criança. Da lembrança dos “quintais com mangueiras”, de tomar guaraná ralado à beira de um córrego à sombra de um acopari, de soltar “pandorga6″, “finca-finca”, “busca-pé” e “trique-trique” com a boca suja de pixé7, erguem-se, nessa terra de sol escaldante, indestrutíveis riquezas, tecnologias inquestionáveis à frente de sua crescente economia.

Cuiabá é a “cidade das oportunidades” que se desenvolve combinando tradições com progresso. Desta terra emana uma energia contagiante… Feita, sobretudo, da confiança no futuro e do calor humano bordado na alma de sua gente. Todos juntos por Cuiabá: evidenciam a sua crença e preservam a esperança de continuidade de uma cidade que continuará evoluindo e atendendo às necessidades de todos os que vivem nela.

Unida e de braços dados com a Mangueira, se orgulha e se prepara para receber o maior evento esportivo do planeta: a Copa do Mundo de 2014. Multiforme e heterogênea, nos deixa o legado de que o futuro é aqui. Suplantada por “alegorias-indústrias” descobre a fórmula mágica para sua industrialização: a sustentabilidade! Não à poluição, compromisso desta nação.

Abaixo parcerias  que ainda estão concorrendo à samba enredo da Escola de Samba Mangueira para 2013:

31 F: Igor Leal, Jr Fionda, Lequinho e Paulo Carvalho.
33 E: Alemão do Cavaco, Pê Baianinho, Rifai e Xavier.
35 G: Washington Lero Lero, Alex Testa e Professor Clayton (vencedor da etapa de Cuiabá).

Galeria de Fotos da Mangueira

Mangueira 07Mangueira 06Mangueira 05Bloco mostrando a história do Cacique de Ramos, durante desfile do ano passado. (Divulgação)Mangueira 03Mangueira 02Mangueira 01Mangueira 2Mangueira B

Veja o Desfile completo da escola em 2012

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