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Após recusar papel em “Duas Caras”, José Mayer estréia musical



Longe do galã-machão que costuma interpretar na Globo, José Mayer, 59, estréia hoje como um trovador malandro no musical “Um Boêmio No Céu”, de Catullo da Paixão Cearense, no Sesc Vila Mariana.

A produção, seu “trabalho mais legítimo”, como define, nasceu em um sebo. Sua mulher, Vera Fajardo, encontrou o texto do compositor, conhecido por canções como “Luar do Sertão” e “Ontem ao Luar”, e Mayer diz ter esperado dez anos para realizar a peça, “escrita em 45″. “O Brasil é descuidado em relação ao seu legado.”

A história do boêmio que fica desapontado com o Paraíso e pede alternativas a são Pedro foi musicada por Mayer e Amir Haddad, 70, dramaturgo e diretor. O elenco conta ainda com Antonio Pedro Borges, Aramis Trindade e Kátia Brito.

 
José Mayer é um trovador boêmio na peça
José Mayer é um trovador boêmio na peça “Um Boêmio no Céu”

“As melodias estão no imaginário popular. Às vezes, as pessoas não sabem que [a música] é de Catullo, mas todos sabem cantarolar. Se quem o conhece for ao teatro e não ouvir músicas dele, vai ficar desapontado”, afirma Haddad.

“E Zé Mayer canta muito bem. Está solto, despreocupado, sem nenhuma submissão à imagem que se possa ter de um galã de televisão.”

Para produzir a peça, o ator recusou o papel que hoje é de Antonio Fagundes na novela “Duas Caras”. Mayer, que completa 40 anos de carreira em 2008, diz se esforçar para sair da “prateleira” de galã na TV e ainda ter vontade de fazer cinema. No currículo, até agora, conta seis minisséries, 12 filmes, 18 novelas e 36 peças.

Paulo Autran

Entre as primeiras novelas que fez está “Guerra dos Sexos”, de 1983, única em que trabalhou com Paulo Autran, morto na semana passada.

“É um empobrecimento [a morte do ator]. Quando penso em Paulo Autran, penso em teatro e em resistir. São essas as palavras que associo a Paulo Autran: teatro, resistir.”

Resistência que aplicou a “Boêmio…”, produzido sem patrocínio, “no vermelho”, e que, após Rio e Niterói, deve ficar em São Paulo cinco semanas.

“Acho criminosa a omissão do Estado, imperdoável. Essa Lei Rouanet, que coloca o artista num confronto direto com o empresário, é uma lei preguiçosa, é um Estado que se desobriga da formulação da política cultural. Os empresários não têm critério artístico, eles têm obrigação de entender de mercado”, critica Mayer. Haddad, que está completando 50 anos de carreira no teatro, concorda e diz que a lei “criou dificuldades enormes”.

Ele elogia a iniciativa do ator de “desenvolver possibilidades para um musical brasileiro”. E diz achar “péssima” a onda de peças importadas da Broadway. “Que mundo será que estamos perdendo dando as costas para o Brasil e importando este tipo de espetáculo? [...] As pessoas vão ver isso não como quem vai ao teatro. Elas vão ver um videoteipe ao vivo.”



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Imprimir este artigo | Segunda-feira, 22 de Outubro de 2007 | Escrito por Luiz Moreno

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