Marília de Dirceu – Resumo

Tomás Antônio Gonzaga foi um poeta do Arcardismo, escola literária cujos autores adotavam nomes pastoris em homenagem aos humildes pastores que viviam em comunhão com a natureza.

O poeta que escreveu poemas líricos voltados aos temas pastoris e de galanteio à sua pastora Marília Dorotéa Joaquina de Seixas, publicou a obra “Marília de Dirceu” em 1972 em Lisboa, enquanto cumpria exílio em Moçambique.

O livro, constituído de poesias, está dividido em três partes, mas a terceira tem sua autenticidade contestada por alguns críticos e não será tratada nesse artigo.

Resumo

A primeira parte da obra foi escrita por Gonzaga antes de sua prisão e nesta, o autor, empregou as composições convencionais de um pastor, Dirceu, que celebrava a beleza da amada, Marília, mas em outros trechos a ansiedade da paixão do autor pela adolescente torna-se predominante.

A segunda parte foi elaborada enquanto o autor encontrava-se preso na Ilha das Cobras e, por isso, os poemas expressam solidão, saudade e pessimismo, além de um forte tom confessional.

Para muitos, é na segunda parte que se encontram a melhor poesia do autor.

De qualquer forma, em sua maioria, a liras de Gonzaga apresentam características relacionadas ao bucolismo, ao otimismo, a vida burguesa e a simplicidade.

 

Eu, Marília, não sou algum vaqueiro,

Que viva de guardar alheio gado;

De tosco trato, d’ expressões grosseiro,

Dos frios gelos, e dos sóis queimado.

Tenho próprio casal, e nele assisto;

Dá-me vinho, legume, fruta, azeite;

Das brancas ovelhinhas tiro o leite,

E mais as finas lãs, de que me visto.

Graças, Marília bela,

Graças à minha Estrela!