Atualizado em: 24 outubro 2011

Lira dos Vinte Anos - Resumo

Veja neste artigo, o resumo da obra “Lira dos Vinte Anos” de Álvares de Azevedo

Álvares de Azevedo, um expoente da escola do Romantismo, morreu muito jovem, aos 20 anos, mas produziu uma obra poética de alto nível e expressão.

Lira dos Vinte Anos, que contém os poemas mais expressivos de sua bibliografia, está dividida estruturalmente em três partes, mas, tematicamente, em apenas duas. Na primeira e terceira parte encontram-se os poemas sobre a morte, religiosidade, sonho, família e obsessões, enquanto a segunda parte apresenta poemas com um tom mais irônico referentes a temas “satânicos” e eróticos.

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Resumo

A Primeira Parte, com um prefácio escrito pelo poeta Bocage, é composta de 33 poemas intimistas sobre as dores do amor, o medo da morte, a mulher faceira, entre outros.

No Mar

Ah! que véu de palidez
Da langue face na tez!
Como teus seios revoltos
Te palpitavam sonhando!
Como eu cismava beijando
Teus negros cabelos soltos!
Sonhavas? — eu não dormia;
A minh’alma se embebia
Em tua alma pensativa!
E tremias. bela amante.
A meus beijos, semelhante
As folhas da sensitiva!
E que noite! que luar!
E que ardentias no mar!
E que perfumes no vento!

A Segunda Parte é composta por apenas 14 poemas. A pureza do capítulo anterior é deixada para trás – não sem um belo aviso ao leitor – enquanto o macabro, o cruel e o sarcástico tomam seu lugar.

“Morreu um trovador — morreu de fome.
Acharam-no deitado no caminho:
Tão doce era o semblante! Sobre os lábios
Flutuava-lhe um riso esperançoso
E o morto parecia adormecido”

A Terceira Parte, composta por 77 poemas, resgata um eu-lírico casto e sentimental que, superado a idealização feminina e o amor platônico, leva às últimas consequências seu anti-romantismo.

MEU DESEJO

Meu desejo? era ser a luva branca
Que essa tua gentil mãozinha aperta!
A camélia que murcha no teu seio,
O anjo que por te ver do céu deserta…
Meu desejo? em ser o sapatinho
Que teu mimoso pé no baile encerra…
A esperança que sonhas no futuro,
As saudades que tens aqui na terra…
Meu desejo? era ser o cortinado
Que não conta os mistérios do teu leito;
Era de teu colar de negra seda
Ser a cruz com que dormes sobre o peito
Meu desejo? era ser o teu espelho
Que mais bela te vê quando deslaças
Do baile as roupas de escomilha e flores
E mira-te amoroso as nuas graças!
Meu desejo? em ser desse teu leito
De cambraia o lençol, o travesseiro
Com que velas o seio, onde repousas,
Solto o cabelo, o rosto feiticeiro…
Meu desejo? era ser a voz da terra
Que da estrela do céu ouvisse amor!
Ser o amante que sonhas, que desejas
Nas cismas encantadas de languor!

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