Atualizado em: 6 julho 2011

Gregório de Matos Guerra - Poemas, Obras e Frases

Um dos maiores autores da história brasileira, e o maior da corrende barroca no Brasil.

Advogado e poeta Gregório de Barros é conhecido por Boca do Inferno por por sua ousadia em criticar a Igreja Católica, muitas vezes ofendendo padres e freiras, sendo assim, o mais importante poeta satírico da literatura brasileira, tratava-se do maior poeta barroco da época e agora da história do país.

Não se sabe ao certo a data de seu nascimento, mas de acordo com a Infoescola, ele nasceu supostamente em 7 de abril de 1633 na Bahia e morreu em Recife em 1696. Veio de uma família rica que possuía dois engenhos decana-de-açúcar e 130 escravos. Estudou em casa e no colégio jesuíta. Formou-se em Direito na Universidade de Coimbra e lá exerceu a profissão sendo, inclusive, juiz de órfãos.

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Em 1983 Gregório volta de uma viagem feita à Portugal, lá foi nomeado Desembargador da Relação Eclesiástica da Bahia e tesoureiro-mor da Sé, mas ao chegar ao Brasil, João da Madre de Deus destitui-o dos seus cargos por não querer usar batina nem aceitar a imposição das ordens maiores. A partir de então, a Igreja e principalmente os costumes do povo da Bahia passaram  ser tema das sátiras de Gragório de Barros.

O autor conseguiu atenção popular, até porque escrevia numa linguagem popular, narrando episódios do cotidiano e da política. Escreveu poesia lírica, satírica e religiosa, e assim foi construindo algumas inimizades, como já era de se esperar. Mas nos dias de hoje, não se pode negar que suas poesias tornou-se uma maneira de saber como se vivia naquela época e o que se passava nela.

Poemas

Moraliza o Poeta nos Ocidentes do Sol a Inconstância dos Bens do Mundo

Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,
Depois da Luz se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em contínuas tristezas a alegria.
Porém se acaba o Sol, por que nascia?
Se formosa a Luz é, por que não dura?
Como a beleza assim se transfigura?
Como o gosto da pena assim se fia?
Mas no Sol, e na Luz, falte a firmeza,
Na formosura não se dê constância,
E na alegria sinta-se tristeza.
Começa o mundo enfim pela ignorância,
E tem qualquer dos bens por natureza
A firmeza somente na inconstância.

 

Soneto Sobre a Bahia:

A cada canto um grande conselheiro.

que nos quer governar cabana, e vinha,

não sabem governar sua cozinha,

e podem governar o mundo inteiro.

Em cada porta um frequentado olheiro,

que a vida do vizinho, e da vizinha

pesquisa, escuta, espreita, e esquadrinha,

para a levar à Praça, e ao Terreiro.

Muitos mulatos desavergonhados,

trazidos pelos pés os homens nobres,

posta nas palmas toda a picardia.

Estupendas usuras nos mercados,

todos, os que não furtam, muito pobres,

e eis aqui a cidade da Bahia

 

Obras:

  1. Beija-flor
  2. Anjo bento
  3. Senhora Dona Bahia
  4. Descrevo que era realmente naquele tempo a cidade da Bahia
  5. Finge que defende a honra da cidade e aponto os vícios
  6. Define sua cidade
  7. A Nossa Senhora da Madre de Deus indo lá o poeta
  8. Ao mesmo assunto e na mesma ocasião
  9. Ao braço do mesmo Menino Jesus quando appareceo
  10. A NSJC com actos de arrependido e suspiros de amor
  11. Ao Sanctissimo Sacramento estando para comungar
  12. A S. Francisco tomando o poeta o habito de terceyro
  13. No dia em que fazia anos
  14. impaciência do poeta
  15. Buscando a cristo
  16. Soneto – Carregado de mim ando no mundo,
  17. Soneto I – À margem de uma fonte, que corria
  18. Soneto II – Na confusão do mais horrendo dia
  19. Soneto III – Ditoso aquele, e bem-aventurado
  20. Soneto IV – Casou-se nesta terra esta e aquele
  21. Soneto V – Bote a sua casaca de veludo,
  22. Soneto VI – A cada canto um grande conselheiro
  23. Triste bahia

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