Atualizado em: 27 julho 2009

Vinicius de Moraes – Poemas

Vinicius de moraes – Poemas

Vinicius de Moraes nasceu em 1913 no Rio de Janeiro e desde pequeno já demonstrava afinidade com as palavras. O poeta é autor de vários sonetos, onde valorizou a minuciosidade lírica para a criação das obras. Ao lado de Tom Jobim, ele consagrou a Bossa Nova.

Em seus poemas, Vinicius sempre deixou claro a sua admiração pelas mulheres e na vida pessoal tinha a fama de grande conquistador. Sua carreira artística teve início na década de 20, quando compôs algumas canções em parceria com os Irmãos Tapajós. Nos anos 30, o poeta criou uma forte amizade com Manuel Bandeira e Mário de Andrade.

Os sonetos de Vinicius de Moraes revolucionaram o estilo de escrita do Modernismo, combinando mistério e traços românticos em sua obra. O autor faleceu em 1980, ma foi responsável pelo enriquecimento da Literatura Brasileira. Confira alguns poemas de Vinícius de Moraes. Confira sonetos de Vinicius de Moraes:

Soneto de Fidelidade

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

Soneto da Separação

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.

Soneto do amor total

Amo-te tanto, meu amor… não cante
O humano coração com mais verdade…
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.

Amo-te afim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.


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