Atualizado em: 20 julho 2009


Poemas de Mario de Andrade

Poemas de Mario de Andrade

Mario de Andrade é considerado um dos maiores escritores brasileiros, ele inovou o estilo da literatura durante o período modernista e foi autor de belíssimas obras. Além de poeta e romancista, Mario também desempenhava a função de professor universitário. Ele teve importante participação na Semana de Arte Moderna de 1922, ao lado de nomes como Manuel Bandeiras, Carlos Drummond e Tarsila do Amaral.

A galeria de poemas de Mario de Andrade é magnífica, capaz de estimular estudos aprofundados até hoje. Os textos valorizam as principais características do modernismo, fazendo denúncias sociais e estimulando a reflexão do leitor a respeito de vários assuntos.

Um dos romances mais conhecidos de Mario de Andrade é Macunaíma, o livro tem uma linguagem densa que mistura a cultura popular com erotismo. A seguir temos dois poemas do escritor, veja como ele trabalha com as palavras:

Descobrimento

Abancado à escrivaninha em São Paulo
Na minha casa da rua Lopes Chaves
De supetão senti um friúme por dentro.
Fiquei trêmulo, muito comovido
Com o livro palerma olhando pra mim.

Não vê que me lembrei que lá no Norte, meu Deus!
muito longe de mim
Na escuridão ativa da noite que caiu
Um homem pálido magro de cabelo escorrendo nos olhos,
Depois de fazer uma pele com a borracha do dia,
Faz pouco se deitou, está dormindo.

Esse homem é brasileiro que nem eu.

Poemas da amiga

A tarde se deitava nos meus olhos
E a fuga da hora me entregava abril,
Um sabor familiar de até-logo criava
Um ar, e, não sei porque, te percebi.

Voltei-me em flor. Mas era apenas tua lembrança.
Estavas longe doce amiga e só vi no perfil da cidade
O arcanjo forte do arranha-céu cor de rosa,
Mexendo asas azuis dentro da tarde.

Quando eu morrer quero ficar,
Não contem aos meus amigos,
Sepultado em minha cidade,
Saudade.

Meus pés enterrem na rua Aurora,
No Paissandu deixem meu sexo,
Na Lopes Chaves a cabeça
Esqueçam.

No Pátio do Colégio afundem
O meu coração paulistano:
Um coração vivo e um defunto
Bem juntos.

Escondam no Correio o ouvido
Direito, o esquerdo nos Telégrafos,
Quero saber da vida alheia
Sereia.

O nariz guardem nos rosais,
A língua no alto do Ipiranga
Para cantar a liberdade.
Saudade…

Os olhos lá no Jaraguá
Assistirão ao que há de vir,
O joelho na Universidade,
Saudade…

As mãos atirem por aí,
Que desvivam como viveram,
As tripas atirem pro Diabo,
Que o espírito será de Deus.
Adeus.


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