Ex-traficante cobra R$ 5 mil por palestra

O jovem de classe média que virou traficante internacional e inspirou o papel de Selton Mello no filme “Meu nome não é Johnny”, já deu cerca de 50 palestras sobre sua jornadadesde outubro de 2007.
João Guilherme Estrella, que atualmente trabalha como produtor musical, cobra cerca de R$ 5 mil por evento em colégios e universidades de várias capitais brasileiras. Algumas das palestras fizeram parte dos trabalhos de divulgação do longa-metragem inspirado em sua vida, mas, neste ano de 2008, João alça “carreira-solo” no disputado ramo dos palestrantes.
Estrella já tem sete palestras agendadas para este ano. Alguns de seus destinos serão, Porto Alegre, onde falará a internos de uma clínica de reabilitação, além de Brasília, Fortaleza e Manaus, capitais nas quais discursará para seu público cativo: estudantes de colégios e universidades.
“Quando falo com os jovens tento usar um discurso de amigo. Falarei enquanto ainda quiserem me ouvir”, disse sobre a rotina pesada de palestras. Ele conta que costuma abrir os eventos com um cromo do filme - trailer grande, de cerca de cinco minutos, que resume a história do longa -, que é seguido de uma explicação sobre sua vida após a saída da prisão, e de debates com o público.
‘E a hipocrisia?’, perguntou garoto de 14 anos
Ele garante que o número de elogios supera de longe a quantidade de críticas, mas confessa que já passou por momentos delicados nessas andanças pelo Brasil. Certa vez um garoto de 14 anos soltou a seguinte pergunta: “E a hipocrisia? Você fez tudo isso e diz para a gente não fazer nada?”.
“Pedi para que ele visse o filme para entender os perigos e a ‘barra pesada’ que o envolvimento com as drogas traz”, explica Estrella. A maior parte dos jovens nas platéias, no entanto, se aproxima para fazer confidências. “Muitos vêm falar em off sobre as experiências com as drogas. Eu tento alertar para os problemas. Digo a eles que comecem a pensar em pular fora.”, disse ele, que ficou preso por dois anos em uma Casa de Custódia.
Refletindo sobre sua trajetória, João afirma não ter arrependimentos. “Tudo valeu a pena de um certo ângulo. Costumo dizer que não me arrependo de nada. Senão, me arrependeria de quase metade da minha vida. Tentei transformar o que aconteceu em algo bom”, disse ele durante uma de suas palestras.
fonte:g1
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