Atualizado em: 17 setembro 2010

Machado de Assis – Biografia

Com uma vida difícil Machado de Assis teve uma trajetória admirável e que vale a pena conhecermos.

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Biografia

Era filho do mulato Francisco José de Assis, pintor de paredes e descendente de escravos alforriados, e de Maria Leopoldina Machado, uma portuguesa da Ilha de São Miguel.

Machado de Assis, que era canhoto, passou a infância na chácara de D. Maria José Barroso Pereira, viúva do senador Bento Barroso Pereira, na Ladeira Nova do Livramento, onde sua família morava como agregada, no Rio de Janeiro.

De saúde frágil, epilético, gago, sabe-se pouco de sua infância e início da juventude. Ficou órfão de mãe muito cedo e também perdeu a irmã mais nova.

Não freqüentou escola regular, mas, em 1851 , com a morte do pai, sua madrasta Maria Inês, na época morando no bairro em São Cristóvão, arrumou-lhe um emprego como doceiro num colégio do bairro, e Machadinho, como era chamado, torna-se vendedor de doces.

No colégio tem contato com professores e alunos e é provável que tenha assistido às aulas quando não estava trabalhando.

Mesmo sem ter acesso a cursos regulares, empenhou-se em aprender e se tornou um dos maiores intelectuais do país, ainda muito jovem.

Em São Cristóvão, conheceu a senhora francesa Madamme Gallot, proprietária de uma padaria, cujo forneiro lhe deu as primeiras lições de francês, que Machado acabou por falar fluentemente, tendo traduzido o romance Os Trabalhadores do Mar, de Victor Hugo, na juventude.

Também aprendeu inglês, chegando a traduzir poemas deste idioma, como O Corvo, de Edgar Allan Poe.

Posteriormente, estudou alemão, sempre como autodidata.

De origem humilde, Machado de Assis iniciou sua carreira trabalhando como aprendiz de tipógrafo na Imprensa Oficial, cujo diretor era o romancista Manuel Antônio de Almeida.

Em 1855, aos quinze anos, estreou na literatura, com a publicação do poema “Ela” na revista Marmota Fluminense.

Continuou colaborando intensamente nos jornais, como cronista, contista, poeta e crítico literário, tornando-se respeitado como intelectual antes mesmo de se firmar como grande romancista.

Machado conquistou a admiração e a amizade do romancista José de Alencar, principal escritor da época.

Em 1864 estréia em livro, com Crisálidas (poemas).

Em 1869, casa-se com a portuguesa Carolina Augusta Xavier de Novais, irmã do poeta Faustino Xavier de Novais e quatro anos mais velha do que ele

. Em 1873, ingressa no Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas, como primeiro-oficial.

Posteriormente, ascenderia na carreira de servidor público, aposentando-se no cargo de diretor do Ministério da Viação e Obras Públicas.

Podendo dedicar-se com mais comodidade à carreira literária, escreveu uma série de livros de caráter romântico.

É a chamada primeira fase de sua carreira, marcada pelas obras:

  • Ressurreição (1872)
  • A Mão e a Luva (1874)
  • Helena (1876)
  • Iaiá Garcia (1878)
  • Contos Fluminenses (1870)
  • Histórias da Meia Noite (1873)
  • Crisálidas (1864)
  • Falenas (1870)
  • Americanas (1875)

Peças

  • Os Deuses de Casaca (1866)
  • O Protocolo (1863)
  • Queda que as Mulheres têm para os Tolos (1864)
  • Quase Ministro (1864).

Em 1881 abandona o romantismo e marca o início do realismo no Brasil com a obra Memórias Póstumas de Brás Cubas.

Tanto Memórias Póstumas de Brás Cubas como as demais obras de sua segunda fase vão muito além dos limites do realismo, apesar de serem normalmente classificados nessa escola.

Machado, como todos os autores do gênero, escapa aos limites de todas as escolas, criando uma obra única.

Na segunda fase suas obras tinham caráter realista, tendo como características: a introspecção, o humor e o pessimismo com relação à essência do homem e seu relacionamento com o mundo.

Da segunda fase, são obras principais:

  • Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881)
  • Quincas Borba (1892)
  • Dom Casmurro (1900)
  • Esaú e Jacó (livro) (1904)
  • Memorial de Aires (1908)
  • Papéis Avulsos (1882)
  • Várias Histórias (1896)
  • Páginas Recolhidas (1906)
  • Relíquias da Casa Velha (1906)
  • Poesias Ocidentais.

Em 1904, morre Carolina Xavier de Novaes, e Machado de Assis escreve um de seus melhores poemas, Carolina, em homenagem à falecida esposa.

Muito doente, solitário e triste depois da morte da esposa, Machado de Assis morreu em 29 de setembro de 1908, em sua velha casa no bairro carioca do Cosme Velho.

Nem nos últimos dias, aceitou a presença de um padre que lhe tomasse a confissão. Bem conhecido pela quantidade de pessoas que visitaram o escritor carioca em seus últimos dias, como Mário de Alencar, Euclides da Cunha e Astrogildo Pereira.

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