Atualizado em: 18 julho 2011

Não consigo produzir! E agora?

Um relato real de como um ser humano deprimido pode deixar de produzir e como sair do fundo do poço com medidas práticas, força de vontade, e ajuda de amigos.

Não consigo produzir! E agora?Este artigo está sendo criado no meio de uma grande crise de falta de inspiração e talvez seja mais útil para mim, editor deste blog, do que para você querido leitor. Se eu conseguir ajudar uma única pessoa, e esta pessoa for eu mesmo, já me dou por satisfeito.

 

Identificando o problema e sendo honesto consigo mesmo

Há algum tempo tenho vivido uma grave crise de falta de inspiração, que provavelmente é motivada por algo que pode até ser uma depressão. Gradativamente fui perdendo a vontade de sair, de estar com os amigos, de visitar a família, e a coisa chegou a tal ponto que passei a sair de casa apenas se for algo absolutamente essencial. Passava quase o dia inteiro em frente ao micro, e a despeito de ficar aqui pelo menos 15 horas por dia, produzia quase nada.

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Para alguém que vive de escrever em blogs, isto é um problema gravíssimo, e não fosse o conteúdo que eu já criei no decorrer dos anos, provavelmente estaria sem ter como pagar minhas contas agora.

É claro que eu tenho consciência racional da situação, mas isso não foi suficiente para me motivar nos últimos meses. Há alguns dias resolvi tomar algumas medidas um tanto quanto radicais. Gosto de dois joguinhos. Um é o Empires&Allies sobre o qual já escrevi aqui no Sempre Tops, noticiando seu lançamento e outro é o GTA San Andreas Multiplayer, que comecei a jogar para fazer companhia a meu filho. Sou pai separado e moro com meu filho de 13 anos, e por isso, tento estar perto dele o quanto possível. O jogo era uma mais uma forma da gente se divertir junto, mas passou a ser uma fuga da realidade para mim.

Outra coisa que percebi, é que a atividade de Internet que para mim era tão prazerosa, deixou de ser. Toda noite, ao final do dia, tinha a terrível sensação de que mais um dia se foi e nada de relevante foi feito. Vinha à mente o pensamento: “amanhã será diferente”, seguido da lembrança que, como todos os dias tem sido improdutivos, o mais provável é que o dia de amanhã também o fosse. E esta certeza criava um círculo vicioso perverso que só me fazia ficar pior.

Ser honesto consigo mesmo é essencial

Fiz uma análise realista da minha situação, e a constatação não foi nada boa. Coloquei aqui, escrito em papel ao lado do meu PC para me lembrar que há uma necessidade imediata a ser suprida. Me avaliar de forma honesta, colocando isso no papel, foi fundamental para observar todo o contexto do problema. Algo como uma macro visão que facilita perceber o tamanho do problema e sua natureza.

Uma vez com o mapa na mão, percebi que estou como um pequeno pelotão isolado no meio do território inimigo, mas agora é possível ver qual é o caminho para voltar com o menor número de baixas possível. Em alguns casos, a solução é simples, mas não conseguíamos vê-la.

Outra coisa ruim por ficar tanto tempo em frente ao PC é que o corpo começa a se ressentir disso, as vezes entrando em colapso. Meus olhos passaram a doer todos os dias, assim como minhas costas, ombros e por final até minhas pernas. Meus ombros pareciam pedras de tão tensos. Os olhos me causavam dores de cabeça bem fortes. Estava tomando pelo menos 5 analgésicos por dia.

Ficar em frente ao PC me fez ganhar 20 quilos em apenas 3 meses. Isto aumentou minha pressão arterial, me fez dormir cada vez pior, respirar mal e piorou consideravelmente minha qualidade de vida. Por fim já não me arrumava a casa, minha mesa e parei até de me barbear. A vida tornou-se um fardo.

 

Medidas práticas para contornar a crise

Sei que o problema não é jogo. Eu poderia ficar 6 horas por dia jogando e ainda daria tempo para produzir muita coisa no tempo que resta. Mas, por incapacidade de conseguir dosar as coisas, resolvi parar de jogar. O tempo que eu não uso mais jogando me força a deixar de me abstrair da realidade.

Passei a ficar menos tempo na frente do micro, e comecei a fazer outras coisas. Não importa exatamente o que, basta que não seja preciso usar o PC o dia inteiro. Com isso, as ideias começam a aparecer. Você que gosta de internet, já viu como a gente só lembra de sites interessantes pra visitar quando não temos acesso à Web? Já percebeu que após um final de semana longe do trabalho você volta revigorado? Foi isso que fiz e percebi que minha mente começou a dar sinais de funcionar de forma fluída novamente. Que alívio! A visão do oásis no deserto renova as forças.

 

Sair do isolamento

Um amigo próximo poderia facilmente perceber o problema e me dar uns toques, ou até mesmo uma bela bronca que me impediria de chegar a este extremo. Mas como me isolei, me furtei de ter aliados poderosos. Com efeito, estou saindo da caverna e procurando o contato. Aqui onde moro não é tão fácil, porque na ocasião do divórcio fui para o local mais longe que eu podia ir e fiquei longe dos amigos. Neste tempo, a dor do divórcio me tirou toda a vontade de convívio social.

Outro fator agravante é que ao vir para o bairro onde moro, me filiei a uma igreja evangélica. Infelizmente constatei que neste meio só existe amizade enquanto você segue os padrões aceitos pelo grupo. Quando percebi que estava sendo manipulado e manifestei minha insatisfação, o grupo veladamente em excluiu. Pelo menos neste caso, melhor sozinho do que mal acompanhado. Ainda creio nos ensinamentos de Jesus, mas a palavra “evangélico” está tão associada a canalhice, sectarismo, intolerância, falcatruas e enganação, que hoje, não me defino mais como tal. Os caras mais cristãos que conheço nunca colocaram os pés em uma igreja evangélica. Ainda bem, pois se colocassem, provavelmente deixariam de sê-lo.

Desabafos filosóficos à parte, deixar de conviver com pessoas que me faziam mal e buscar o convívio com seres humanos do bem, foi algo essencial para eu voltar a me sentir bem, e consequentemente, tomar o rumo de volta ao caminho que me fará produzir profissionalmente de forma satisfatória.

 

Acabou?

Não, além de tomar algumas medidas radicais, tem sido necessário disciplina rígida à princípio. Tal como um viciado em drogas, o tratamento inicial normalmente não é muito agradável, mas tem produzido efeitos positivos. Com o decorrer do tempo e a desintoxicação, creio que poderei adotar uma conduta mais descontraída, porém é preciso ficar alerta aos primeiros sintomas de que algo vai mal.

Para isso, conte com seus amigos. Fale com eles do seu problema e peça para ficarem atentos. Eles provavelmente serão seus maiores e melhores aliados para te impedir de chegar ao fundo do poço, ou para te ajudar a sair de lá.

É possível que a estratégia tenha que ser adaptada caso a caso, ou mesmo ao longo do tempo para produzir melhores resultados, mas sobre isso eu falo em outra oportunidade.

Com a esperança de escrever mais e melhor, convido os leitores a deixarem suas impressões no campo de comentários. Um grande abraço a todos os amigos do Sempre Tops.

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